O Crescimento do Futebol Feminino na América Latina

Tendências / Autenticidade
Thomas Barwick
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Federico Roales
jul. 20, 2021
Estamos testemunhando uma mudança cultural na América Latina. Nos últimos três anos, o interesse no futebol feminino cresceu muito, deixando para trás quase um século de barreiras, proibições e falta de investimento.

Essa mudança de paradigma não se aplica apenas ao futebol, mas a todos os outros esportes femininos, e é um dos resultados tangíveis da exigência do aumento da igualdade de gênero feita por toda sociedade. Para melhorar o contraste e celebrar essa nova era, as mulheres, antes proibidas de jogar, precisam ser visualmente retratadas jogando futebol, e, de fato, dentro do jogo.
Nos países da América Latina, o futebol era tradicionalmente visto como um esporte masculino. Uma parte da explícita discriminação que nos deixaria escandalizados agora, antigamente era algo muito comum. Por exemplo, no Brasil, havia uma Lei Pública válida até 1797 que baniu a prática do futebol para mulheres, pois o esporte era considerado não adequado para o corpo feminino.

Hoje, esses tipos de preconceitos são impensáveis, especialmente à medida que as atitudes dos consumidores mudam. Como nossa pesquisa Visual GPS 2021 mostra, as pessoas nos países da América Latina agora estão altamente comprometidas a contestar tendências de modo ativo em todo lugar e ocasião (Brasil 71%, México 67% e Argentina 60%).
Nos últimos cinco anos, movimentos feministas mudaram atitudes públicas lentamente e transformaram nossa compreensão do papel de gênero e a necessidade de igualdade na América Latina. Isso também tem tido um impacto no futebol feminino, quando começamos a ver grandes avanços no nível de profissionalização, inclusão, interesse de fãs e participação nas partidas.

No Estádio Universitário de Monterrey, México, em novembro de 2019, o recorde de público em uma partida de futebol feminino na América Latina foi ultrapassado. Durante o mesmo ano, a Argentina quebrou o recorde de público de uma equipe nacional de futebol feminino durante a Copa do Mundo. Além disso, recentemente, a Copa Libertadores 2021 do futebol feminino causou mais de 700 mil interações nas redes sociais. Esse interesse crescente tangível chegará ao ápice quando a pandemia terminar. Os consumidores da América Latina certamente estão dispostos a se envolver cada vez mais no futebol feminino.
Então, o que está acontecendo com as marcas? Como consequência do boom no futebol feminino, marcas mundiais começaram a tornar visíveis as barreiras que as mulheres tinham (e ainda têm) que enfrentar para jogar futebol. E, os clientes querem que as marcas tenham um ponto de vista transparente sobre questões sociais. Nossa pesquisa Visual GPS descobriu que 34% dos consumidores afirmam que, nos últimos dois anos, começaram a comprar de marcas que apoiavam uma causa na qual acreditam.

No entanto, esse crescimento do futebol feminino não é refletido visualmente: apenas 3% das imagens mais populares de futebol na Getty Images mostrava mulheres jogando futebol de fato. Ainda que promover a inclusão do futebol feminino seja válido para as marcas, é importante ver isso da forma correta: sempre que você promover cenas de futebol (mesmo que seja apenas uma pequena parte da história), pense na representação e inclusão de gênero.
Sempre que promover cenas de futebol (mesmo que seja apenas uma pequena parte da história), pense na representação e inclusão de gênero.
Dicas visuais: Representação no futebol feminino

  • Inclua imagens autênticas, desafie clichês de gênero e mostre a realidade. Sempre que possível, mostre jogadoras reais em vez de modelos.

  • Concentre‑se na força, nas habilidades e ambições das atletas e não em sua aparência para evitar a sexualização.

  • Mostre os cenários urbanos reais na América Latina nos quais as mulheres cresceram e onde começaram a jogar futebol. Mostre o futebol de rua ou campos improvisados, às vezes em condições adversas.

Ampliando o olhar sobre as histórias de pessoas transgênero